SLActive®: 20 anos de evidências sobre desempenho inicial e estabilidade biológica

Veja como duas décadas de evidências consolidaram o SLActive® como referência na interface inicial entre implante e tecido, determinante para previsibilidade a curto prazo.

A fase inicial da cicatrização sempre chamou a atenção de quem trabalha com implantodontia, pois é nesse período que o osso passa a organizar a estabilidade biológica que orienta todo o andamento do tratamento.

Cada profissional sabe, pela própria rotina clínica, que esse momento influencia prazos, condutas e o nível de segurança necessário para avançar com reabilitações mais rápidas.

É nesse cenário que a Straumann celebra um marco especial: a Straumann® SLActive® completa 20 anos. Desde 2005, a superfície fortalece a segurança biológica no início da cicatrização e mantém efeito ao longo de toda a integração.

A data abre a oportunidade de revisitar essa trajetória com clareza técnica e novos olhares. Por isso, ao longo deste conteúdo, destacamos como o SLActive® permanece relevante para cirurgiões que valorizam estabilidade e previsibilidade, desde o início do tratamento.

20 anos de SLActive®: superfície que redefiniu a cicatrização 

A SLActive® é uma superfície hidrofílica quimicamente modificada, desenvolvida com o propósito de aprimorar os eventos biológicos que definem a integração óssea.

Quando foi lançada, introduziu um novo entendimento sobre a interação entre implante e tecido no momento da instalação, etapa em que a formação do coágulo, a adesão de proteínas e o recrutamento celular determinam a qualidade da resposta inicial.

Na rotina clínica, essa fase inicial corresponde ao início da formação da estabilidade biológica. É nesse período que o coágulo se organiza sobre a superfície, as proteínas estruturais se ancoram e os primeiros osteoprogenitores começam a migrar para o local.

A SLActive® foi projetada para otimizar exatamente essa interface. Sua hidrofilia ativa favorece a dispersão do sangue, amplia o contato com proteínas essenciais e cria um ambiente mais propício para o início da formação óssea.

Esse desempenho contribuiu para a adoção segura de janelas de cicatrização mais curtas e para a evolução de abordagens imediatas que hoje fazem parte da prática clínica em inúmeros consultórios.

Mas o que, na prática, caracteriza uma superfície hidrofílica?

Quando afirmamos que uma superfície é hidrofílica, estamos descrevendo uma propriedade mensurável: sua capacidade de interagir com líquidos com ângulo de contato extremamente baixo.

No caso da SLActive®, essa hidrofilia não é apenas uma característica física, mas o resultado de uma modificação química que remove contaminantes orgânicos, reduz carbonatos e expõe grupos com alta afinidade por água e proteínas.

Essa propriedade se manifesta de forma objetiva no momento da instalação do implante. Ao entrar em contato com o sangue, a superfície não apenas absorve o fluido, mas o espalha instantaneamente.

Esse comportamento favorece a formação de um coágulo contínuo, aderido e estável — um contraste direto com superfícies hidrofóbicas, nas quais o sangue tende a se agrupar e formar áreas de contato irregular.

O espalhamento uniforme do sangue amplia o contato inicial com proteínas estruturais, como fibrinogênio e fibronectina, que compõem a matriz provisória responsável por ancorar as primeiras células. Esse processo determina:

  • uma rede de fibrina mais densa e estável;

  • adesão celular mais eficiente;

  • distribuição homogênea dos osteoprogenitores na interface;

  • início mais rápido da formação óssea.

O resultado é um microambiente organizado desde as primeiras horas, em que a matriz provisória se estabelece com maior continuidade.

Como essa matriz orienta todo o processo subsequente de cicatrização, uma superfície verdadeiramente hidrofílica não apenas melhora a resposta imediata, mas influencia as semanas seguintes.

E o que os estudos mostram sobre essa resposta biológica? 

Após sua chegada ao mercado, a SLActive® passou a ser amplamente investigada e já acumula mais de 150 estudos pré-clínicos e clínicos.

Esses trabalhos documentam efeitos importantes, como maior diferenciação dos osteoblastos, aumento na produção de osteocalcina, que é uma proteína essencial para a formação óssea, e estímulo à neoformação vascular.

Tais mecanismos sustentam um ambiente de consolidação mais favorável, sobretudo no período crítico em que o implante depende de suporte para evoluir com segurança.

Além disso, estudos mostram que, após cinco a seis meses de remodelação, não há diferenças significativas entre tratamentos com carga precoce e carga imediata.

As taxas de sobrevivência registradas alcançam 98,2% para carga imediata e 97,1% para carga precoce, o que reforça a previsibilidade da superfície mesmo em tempos reduzidos de cicatrização.

Com o amadurecimento das evidências, a SLActive® passou a ocupar um papel importante na condução de reabilitações imediatas e no avanço de fluxos clínicos integrados. Hoje, permanece alinhada às necessidades de profissionais que buscam eficiência, segurança e resultados consistentes.

A ciência que sustenta o alto desempenho da superfície SLActive®

Vale observar que a resposta acelerada da SLActive® não se explica apenas pela hidrofilia. Embora a afinidade por líquidos seja determinante para organizar a interface inicial, os estudos também mostram que o desempenho da superfície resulta da sua estruturação multiescalar formada por micro e nanoarquiteturas.

A microrrugosidade derivada da SLA® — superfície que antecedeu a SLActive® e serviu como sua base tecnológica — já eleva de forma significativa a área superficial quando comparada a superfícies usinadas.

Sobre essa base, a SLActive® adiciona nanoestruturas que ampliam ainda mais a área disponível para interação biológica e aumentam os pontos de contato para proteínas, fibrina e células ósseas.

Essa integração entre micro e nanotopografia tem implicações diretas na formação da matriz provisória. Evidências in vitro indicam que as nanoestruturas da SLActive® favorecem a organização da rede de fibrina e estimulam os estágios iniciais de mineralização.

O ambiente formado é mais contínuo, mais aderido e mais apto a orientar o recrutamento e a diferenciação de osteoprogenitores. Na prática, isso se traduz em maior contato osso-implante (BIC) nas fases iniciais e em uma base biológica mais estável para conduzir janelas de cicatrização reduzidas.

Desempenho consistente em cenários clínicos delicados

Casos envolvendo pacientes diabéticos, fumantes ou submetidos à radioterapia representam desafios conhecidos. Essas condições alteram fluxo sanguíneo, resposta inflamatória, remodelação óssea e organização da matriz provisória, elementos decisivos para a estabilidade inicial do implante.

Nesses contextos, pequenas variações biológicas podem comprometer o processo de integração, o que torna a fase inicial especialmente sensível.

Ao longo de 20 anos de investigação, a SLActive® demonstrou comportamento particularmente confiável nessas situações. A combinação entre hidrofilia ativa, química controlada e nanoarquitetura melhora a qualidade da interface inicial mesmo quando o tecido apresenta resposta comprometida.

O resultado é um coágulo mais contínuo, ancoragem proteica mais eficiente e ambiente celular mais organizado nas primeiras semanas.

Essa solidez biológica sustenta a indicação de protocolos imediatos em casos bem selecionados. Para o paciente, isso se traduz em menor período sem dente, redução de consultas e retomada funcional mais rápida, elementos que contribuem para uma experiência terapêutica muito mais positiva e fluida.

Em cenários adversos, a confiabilidade da SLActive® não apenas reduz riscos, mas amplia a margem para condutas mais integradas e eficientes.

Uma superfície que permanece atual e cada vez mais integrada

Ao completar 20 anos, a SLActive® mantém o papel de referência nos protocolos que valorizam estabilidade inicial, integração eficiente e condução segura de casos imediatos.

Além disso, sua  resposta biológica precoce sustenta protocolos que dependem de estabilidade inicial, o que favorece a aplicação de workflows digitais.

A superfície não é um componente digital, mas se relaciona ao ecossistema Straumann ao fornecer as condições biológicas necessárias para que soluções como iEXCEL™, SIRIOS™, AXS™ e Smilecloud™ operem com previsibilidade.

Esses sistemas ampliam o planejamento virtual, a cirurgia guiada e a coordenação protética, enquanto o SLActive® oferece a base tecidual estável que permite a execução segura desses fluxos.

A combinação entre desempenho biológico, robustez científica e integração com tecnologias digitais explica por que a SLActive® segue relevante em casos simples, complexos ou sistêmicos, sustentando condutas que exigem segurança desde as primeiras horas.

Duas décadas após seu lançamento, a superfície reafirma um ponto central: quando a biologia responde bem no início, todo o tratamento avança com mais confiança.

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Referências:

Critérios de sucesso segundo Buser D. et al. Long-term stability of osseointegrated implants in augmented bone: A 5-year prospective study in partially edentulous patients. Int J Periodont Restor Dent. 2002; 22: 108–17. Disponível neste link.

Nicolau P, Guerra F, Reis R, et al. 10-year outcomes with immediate and early loaded implants with a chemically modified SLA surface. Quintessence Int. 2019 Jan 25;50(2):114-1242