Implantes em pacientes osteoporóticos: como superar os desafios com segurança?
A osteoporose desafia a fixação dos implantes devido à perda óssea. Mas, com avaliação cuidadosa e soluções avançadas, o tratamento pode ser previsível e eficaz.
A osteoporose é uma condição sistêmica que diminui a densidade mineral e altera a microarquitetura óssea, tornando o esqueleto mais frágil e sujeito a fraturas.
Essa doença silenciosa é comum após os 60 anos, justamente a faixa etária em que muitos pacientes procuram reabilitação por implantes dentários.
Embora os maxilares possuam características anatômicas específicas, eles também são afetados pela condição. A perda óssea na região alveolar pode reduzir a qualidade do tecido ósseo, dificultar a fixação inicial dos implantes e comprometer o processo de integração biológica.
Ainda assim, a osteoporose não representa uma contraindicação absoluta à reabilitação com implantes. Com uma análise criteriosa, um plano de tratamento bem estruturado e, quando indicado, a autorização do profissional responsável pelo controle da condição sistêmica do paciente, é possível obter resultados tão satisfatórios quanto aqueles observados em indivíduos sem comprometimento ósseo.
Este artigo revisa, com base em evidências científicas, os impactos da osteoporose na integração dos implantes e discute estratégias para garantir tratamentos mais seguros e eficazes.
Quais são os possíveis efeitos da osteoporose nos implantes?
Antes de prosseguirmos, é válido aprofundar essa revisão e explorar como essas alterações impactam o prognóstico do tratamento.
Dentre os principais efeitos estão:
- Redução da densidade mineral óssea (DMO): diminui a resistência mecânica do osso, comprometendo a capacidade de suportar o implante, especialmente na fase inicial de cicatrização.
- Alterações na microarquitetura óssea: perda de trabéculas, aumento da porosidade e diminuição da espessura cortical reduzem a superfície de contato e dificultam a estabilidade primária.
- Comprometimento do remodelamento ósseo: o desequilíbrio entre reabsorção e neoformação óssea pode atrasar ou prejudicar o processo de osseointegração, fundamental para o sucesso a longo prazo.
- Maior suscetibilidade a microfraturas: o osso fragilizado torna-se mais propenso a falhas estruturais, o que aumenta o risco de mobilidade ou perda do implante.
Essas alterações reforçam a necessidade de uma avaliação minuciosa e individualizada. A análise clínica deve incluir a história médica completa, com ênfase em condições sistêmicas associadas (como diabetes e doenças reumatológicas), uso prolongado de corticosteroides ou bifosfonatos, além de hábitos que afetam a saúde óssea, como tabagismo e sedentarismo.
A densitometria óssea por DEXA continua como o padrão-ouro para quantificar a densidade mineral óssea, mas, na implantodontia, é fundamental complementá-la com exames de imagem de alta definição.
Como superar os desafios? Uma análise baseada em dados científicos
A literatura científica tem demonstrado que a doença, por si só, não representa uma contraindicação absoluta à instalação de implantes dentários.
Pelo contrário, estudos clínicos recentes têm reforçado que, com planejamento criterioso e técnicas adequadas, é possível alcançar altas taxas de sucesso, comparáveis às de pacientes sem comprometimento ósseo sistêmico.
Uma revisão publicada em janeiro de 2025 e apresentada no Straumann® Scientific Highlights teve como objetivo avaliar criticamente a influência da osteoporose na osseointegração e na taxa de sobrevivência de implantes dentários.
O estudo analisou 24 publicações clínicas, envolvendo mais de 2.100 pacientes e cerca de 6.000 implantes. Entre os achados mais relevantes estão:
- Taxas de sobrevivência superiores a 90% em todos os estudos avaliados.
- A maioria dos trabalhos não encontrou diferenças significativas entre pacientes osteoporóticos e saudáveis quanto à perda óssea marginal, contato osso-implante e densidade mineral óssea.
- Embora um dos estudos tenha identificado uma pequena perda óssea marginal (-0,34 mm) em pacientes osteoporóticos, não houve evidência causal robusta que associe esse achado diretamente à condição sistêmica.
- A condição de osteoporose não foi considerada um fator de risco para falhas em implantes dentários, o que também foi confirmado por estudos histológicos.Três estudos apresentaram risco médio de viés e 21 apresentaram baixo risco.
Esses dados confirmam que a osseointegração é viável em pacientes com osteoporose, desde que o planejamento cirúrgico e protético seja cuidadosamente conduzido.
A seleção do tipo de implante, o monitoramento da estabilidade primária e o controle de fatores sistêmicos são determinantes para o sucesso da reabilitação. Assim, mais do que limitar, a condição clínica exige do profissional um olhar atento, embasado em evidências e análise clínica.
Straumann: soluções que fazem a diferença em ossos fragilizados
A fragilidade estrutural e a porosidade aumentada exigem soluções que otimizem a ancoragem inicial do implante. Nesse cenário, a Straumann se destaca por oferecer tecnologias avançadas que favorecem resultados previsíveis.
O implante Straumann BLX®, por exemplo, foi projetado para alcançar alta estabilidade, mesmo em ossos de baixa densidade. Seu design, com roscas progressivas e corpo cônico ativo, permite uma inserção mais eficiente e especialmente importante em casos que exigem carga imediata.
Complementando essa abordagem, Roxolid®, uma liga de titânio e zircônio com resistência mecânica superior ao titânio puro, permite o uso de implantes de menor diâmetro sem comprometer a segurança mecânica. Isso amplia as possibilidades de tratamento, inclusive em regiões com volume ósseo limitado.
Uso de biomateriais para otimização da regeneração óssea
O portfólio de soluções regenerativas da Straumann oferece soluções completas para reconstrução alveolar, preservação de rebordo e aumento de volume ósseo.
Enxertos ósseos de origem xenógena e membranas reabsorvíveis foram desenvolvidos com rigor científico e controle de qualidade que favorecem a formação de osso vital. Ao criar um ambiente biológico adequado, esses materiais promovem uma integração mais eficiente do implante ao tecido ósseo.
Abordagem cirúrgica minimamente invasiva
Dada a suscetibilidade a microfraturas e a cicatrização mais lenta, é essencial reduzir o trauma cirúrgico em pacientes osteoporóticos. A adoção de técnicas minimamente invasivas, como o uso de guias cirúrgicos digitais e a realização de cirurgia sem retalho (flapless), permite preservar a vascularização e a integridade óssea.
A Straumann também contribui com soluções digitais integradas que facilitam o planejamento digital e a execução precisa das etapas cirúrgicas. Isso se traduz em menor morbidade para o paciente e maior previsibilidade para o cirurgião-dentista.
Em síntese, o tratamento implantológico de pacientes com osteoporose não apenas é viável, como pode ser altamente bem-sucedido quando conduzido com base em evidências científicas, planejamento individualizado e uso de tecnologias de ponta. A plataforma Straumann se posiciona como uma aliada estratégica para o cirurgião que busca segurança, inovação e resultados duradouros.
Acompanhamento contínuo e educação do paciente
Embora a literatura respalde a viabilidade da osseointegração em pacientes com osteoporose, o sucesso da reabilitação implantossuportada vai além do momento cirúrgico. O acompanhamento clínico é indispensável para monitorar a evolução da saúde óssea e garantir a manutenção dos resultados obtidos.
Alterações na densidade mineral óssea podem ocorrer de forma gradual e silenciosa, exigindo revisões periódicas, exames de imagem atualizados e, em alguns casos, intervenções terapêuticas específicas.
O controle de comorbidades, a adesão ao tratamento medicamentoso e a orientação sobre hábitos saudáveis tornam-se parte essencial do protocolo de cuidado.
Nesse contexto, a educação do paciente desempenha um papel estratégico. Ao compreender sua condição sistêmica e os cuidados necessários com o implante, o paciente passa a ser um aliado no processo terapêutico.
Orientações claras sobre higiene oral, alimentação adequada, prática de atividades físicas seguras e comparecimento às consultas são medidas que ampliam a longevidade da reabilitação.
Implantar não é apenas reabilitar uma função mastigatória, é estabelecer uma relação de confiança e esclarecimento. Quando o paciente é protagonista do próprio cuidado, os resultados deixam de ser apenas técnicos e passam a ser verdadeiramente sustentáveis.
Conheça as soluções da Straumann
Contar com parceiros comprometidos com a inovação e a excelência faz toda a diferença. A Straumann é referência mundial em soluções para implantodontia, dedicada a oferecer tecnologias avançadas, suporte clínico e pesquisa científica de ponta.
Essa busca constante pela qualidade e previsibilidade nos tratamentos permite que profissionais alcancem resultados seguros e duradouros, mesmo nos casos mais complexos.
Para conhecer mais sobre o trabalho da Straumann e suas soluções que transformam a prática da implantodontia, acesse nosso site e aprofunde seu conhecimento.
Referências:
Fatores de risco da osteoporose: prevenção e detecção através do monitoramento clínico e genético. Nívea Dulce Tedeschi Conforti Froes; Edgard dos Santos Pereira; Wilson Fábio Negrelli, 2005. Disponível em: SciELO Brasil
Osteoporosis' effects on dental implants osseointegration and survival rate: a systematic review of clinical studies. Jamil A Shibli, Viviane Naddeo, Khalila C Cotrim, Eduardo C Kalil, Érica Dorigatti de Avila, Fernanda Faot, Leonardo P Faverani, João Gabriel S Souza, Juliana Campos Hasse Fernandes, Gustavo Vicentis Oliveira Fernandes Disponível em Scientific Highlights No. 1/2025