Como a Jason® membrane contribui para a estabilidade do coágulo em regenerações ósseas guiadas?

Controlar o ambiente biológico logo após a intervenção é decisivo para impedir a invasão de tecidos moles e sustentar os procedimentos com previsibilidade e segurança.

Dalton Marques

Speaker, CoDE e mentor Straumann, ITI Fellow, speaker e diretor do Study Club

A regeneração óssea guiada (ROG) representa um componente essencial nos protocolos de reabilitação implantossuportada. Entre as diversas questões que impactam o sucesso clínico, a estabilidade do coágulo sanguíneo é uma das mais determinantes.

Esse coágulo funciona como matriz biológica e desempenha um papel fundamental na condução e indução da cascata de cicatrização óssea. Sua integridade, porém, pode ser comprometida por invasão celular indesejada, micromovimentos ou falhas no selamento da área.

Nesse contexto, o uso de membranas como barreiras físicas não se restringe ao isolamento celular. A escolha do material adequado exerce influência direta sobre a estabilidade mecânica, no controle da invasão de tecidos moles e na preservação do espaço necessário para a neoformação óssea.

Compreender as propriedades estruturais e biológicas dessas membranas, portanto, pode ser decisivo para o planejamento cirúrgico.

Neste artigo, discutimos os fundamentos que tornam a estabilidade do coágulo um fator crítico em ROG e apresentamos as características da Jason® membrane, que é uma aliada estratégica na proteção da área de regeneração.

A estabilidade do coágulo: fisiologia e implicações regenerativas

O coágulo sanguíneo formado imediatamente após a manipulação cirúrgica, seja durante a extração dentária ou a instalação do implante, é rico em plaquetas, fibrina, leucócitos e fatores de crescimento.

Essa estrutura é altamente suscetível à desorganização nas primeiras horas após o procedimento, e sua estabilização é determinante para que a cicatrização siga o caminho da ossificação desejada, em vez da fibrose.

Quando estabilizado, ele permite a formação da matriz osteoide, que será gradualmente remodelada em osso maduro. Sem a estabilidade adequada, no entanto, podem surgir situações como:

  • invasão precoce por células epiteliais ou fibroblásticas, que impedem a colonização por células osteogênicas;

  • redução do volume ósseo regenerado que pode comprometer a área para instalação ou estabilidade do implante;

  • falhas na regeneração óssea, o que aumenta o risco de insucesso clínico;

  • perda do espaço necessário para a neoformação óssea, que dificulta o crescimento e remodelação do tecido.

Para evitar as complicações, a ROG demanda o uso de membranas como barreiras físicas e seletivas. Essas membranas, além de proteger o coágulo, protegem o biomaterial escolhido, e isolam o compartimento das células epiteliais e do tecido conjuntivo.

Coágulo, células-tronco e angiogênese

Logo após a manipulação cirúrgica, o coágulo é rapidamente colonizado por plaquetas, leucócitos e proteínas plasmáticas que desencadeiam a cascata de regeneração. 

Um dos principais papéis dessa matriz inicial é orquestrar o recrutamento de células-tronco mesenquimais (CTMs), que podem ser derivadas do periósteo, da medula óssea ou de tecidos moles adjacentes.

A presença de fatores de crescimento cria um gradiente químico que atrai essas células-tronco para o local da lesão. Uma vez ali, as CTMs interagem com a matriz de fibrina, iniciam sua diferenciação em linhagens osteogênicas e contribuem diretamente para a formação do tecido ósseo imaturo (osteóide).

Paralelamente, o coágulo desempenha papel decisivo na indução da angiogênese. A neovascularização é crítica para a viabilidade da regeneração óssea, pois garante suprimento adequado de oxigênio, nutrientes e células imunocompetentes. 

Esse processo de angiogênese não só sustenta a sobrevivência das células como também define a qualidade e a velocidade da formação óssea.

Membranas reabsorvíveis: função biológica e critérios de escolha

As membranas de barreira podem ser classificadas em não reabsorvíveis (ex: PTFE) e reabsorvíveis (ex: colágeno). As primeiras oferecem excelente estabilidade dimensional, mas exigem cirurgia de remoção. 

Já as membranas de colágeno, derivadas principalmente do pericárdio ou da derme de origem bovina ou suína, são biorreabsorvíveis, dispensam reintervenção e apresentam melhor interação com os tecidos moles.

Contudo, nem todas as membranas de colágeno se comportam da mesma forma. Seus parâmetros críticos incluem:

  • resistência à tração: relacionada à capacidade de manter o espaço e resistir à pressão dos tecidos moles, fundamental para garantir a estabilidade do coágulo;

  • tempo de reabsorção: deve ser suficiente para cobrir o período de maturação óssea, idealmente entre 12 a 16 semanas, garantindo proteção prolongada sem prejudicar a remodelação;

  • estabilidade biológica: envolve a resistência à degradação enzimática local, mantendo a integridade da membrana durante o processo regenerativo;

  • manejo cirúrgico: facilidade de adaptação, sutura ou fixação, que impacta diretamente no tempo operatório e na previsibilidade do procedimento.

Para o cirurgião, a escolha da membrana ideal ultrapassa as propriedades biológicas e físicas. 

Um material de fácil manejo reduz o tempo cirúrgico, diminui o trauma aos tecidos moles e contribui para a minimização de complicações pós-operatórias. Esses fatores não só favorecem a eficiência do procedimento, como também influenciam diretamente a qualidade da recuperação.

Para o paciente, isso se traduz em menor desconforto, menor risco de intercorrências e resultados mais previsíveis. Por isso, avaliar criteriosamente esses aspectos permite ao profissional selecionar uma membrana eficaz e que assegure uma experiência positiva.

Jason® membrane: estrutura, biologia e vantagens clínicas

A Jason® membrane é uma membrana reabsorvível composta 100% por pericárdio suíno, cuja organização tridimensional de colágeno tipo I e III é mantida de forma altamente entrelaçada.

Essa preservação estrutural é alcançada por meio de um processo de purificação suave, sem o uso de agentes químicos cruzantes, como o glutaraldeído.

Para o cirurgião, isso se traduz em uma membrana com excelente biocompatibilidade, baixa resposta inflamatória e comportamento previsível in vivo — características que favorecem uma integração tecidual mais estável e reduzem o risco de complicações. 

Em contextos de alta exigência clínica, como em regenerações com grandes volumes ou áreas esteticamente críticas, essa qualidade biológica confere maior segurança ao procedimento e contribui diretamente para a obtenção de resultados duradouros e de excelência. Conheça outros benefícios:

1. Estabilidade mecânica e resistência à tração

O pericárdio possui naturalmente uma estrutura laminar organizada, o que confere à Jason® uma resistência superior à tração. Essa característica permite fixação com tachas ou parafusos de titânio, sem risco de rompimento. 

A membrana é ideal para manter o espaço e conter biomateriais particulados, fatores essenciais à proteção e à estabilidade do coágulo.

2. Tempo de barreira prolongado

A Jason® apresenta um tempo de reabsorção prolongado, compatível com o período necessário para a remodelação inicial do enxerto e maturação do osso neoformado. 

Esse tempo assegura que o coágulo permaneça protegido da invasão de células epiteliais, especialmente em áreas críticas como regenerações horizontais e verticais.

3. Molhabilidade e adaptação

Apesar de sua resistência mecânica, a Jason® é altamente maleável quando hidratada. Sua molhabilidade permite conformação tridimensional precisa sobre superfícies irregulares do enxerto ou da topografia óssea, o que melhora o selamento periférico e impede o deslocamento do coágulo nas fases iniciais.

4. Bioatividade e integração tecidual 

A Jason® permite a colonização por fibroblastos e vasos sanguíneos, o que favorece uma integração tecidual controlada e reduz o risco de exposição. Esses efeitos contribuem para a preservação do microambiente regenerativo e diminuem o risco de infecção, fator crucial para a proteção do coágulo.

Membranas em ROG: quando a escolha certa muda o desfecho clínico

Em suma, a escolha da membrana em ROG deve ser guiada por critérios que vão além da classificação entre reabsorvível ou não reabsorvível. 

O entendimento sobre como sua estrutura influencia a estabilidade do coágulo, a proteção do enxerto e a dinâmica celular local permite decisões mais precisas, especialmente em casos desafiadores.

Além da função de barreira, membranas com arquitetura tridimensional preservada, como as derivadas do pericárdio, exercem papel ativo na modulação do ambiente regenerativo. 

Elas impactam o padrão de angiogênese, a infiltração celular, a integração tecidual e a durabilidade da regeneração ao longo do tempo. Esses fatores são ainda mais relevantes em procedimentos onde o volume, o tempo de regeneração ou a estética são críticos.

Como vimos, a Jason® membrane se insere nesse contexto como uma solução baseada em evidência científica e engenharia biológica avançada. Sua performance reflete o nosso compromisso com a previsibilidade, a biocompatibilidade e a inovação constante em odontologia regenerativa.

Além da Jason®, a Straumann tem um portfólio completo de soluções em regeneração óssea e tecidual, desenvolvido para apoiar o profissional em todas as etapas, da indicação simples à reconstrução mais complexa. 

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Confira também o artigo "Surface topography of resorbable porcine collagen membranes, and their effect on early osteogenesis: An in vitro study" do Dr. Dalton Marques: